Noemia Hepp Panke – Produção Científica


Noemia Hepp Panke (1)

Os profissionais da educação, docentes e administrativos de instituições de Ensino Superior e Formação Técnica/Cultural junto a suas atribuições tradicionais de ensinar, formar e gerir, estão assimilando e desenvolvendo outra atividade que é a produção científica.

Esse envolvimento é fundamental, pois o excesso de informações, a ubiquidade e a necessidade de atualização de conhecimentos, veiculados por diferentes fontes, exigem do educador um constante contato com sua área de saber. Ainda, na “era da informação” além do domínio específico, o docente necessita estabelecer relações inter e transdisciplinares. (GUTIERREZ, 1978).

Então, para a viabilização desse processo, a produção do educador apresenta-se como uma estratégia para interagir com o meio acadêmico/científico. No entanto, quando ele se propõe a divulgar seu conhecimento ou sua práxis, frequentemente, depara-se com um fato irrelevante até então: a pouca familiaridade com a redação do gênero acadêmico. (VAL, 1993). A primeira reação é de desânimo e impotência. Depois, a procura para minimizar ou sanar o impasse. Essa insegurança e dificuldade se justificam ao se analisar a insípida exigência, em relação “ao escrever” a que fica exposta, durante os anos de formação escolar e acadêmica.

Geraldi (1997), linguista da UNICAMP, na década de 1980 já alertava para a necessidade urgente da retomada e incentivo à leitura e escrita em sala de aula, em todas as instâncias do ensino. Afirmava que só “se aprende a ler, lendo” e “só se aprende a escrever, escrevendo”. Mas como essa prática é pouco usual, relegada a segundo plano ou equivocada nas escolas, colégios e também nas instituições superiores, o resultado se reflete em diversos estágios da vida, inclusive na produção de textos acadêmicos e científicos.

________________________ (1) Graduada em Letras Português/Inglês – PUC/PR; Especialista em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa – UNICAMP/SP; Mestre em Letras – Lingüística de Língua Portuguesa – UFPR.

O construtivismo piagetiano, o interacionismo de Vygotsky e principalmente, o dialogismo de Bakhtin contribuem para entender o processo da construção do sujeito social, que estuda, reflete e produz o conhecimento. Assim, ao se proporcionar situações reais de leitura e de produção textual, em sala de aula, desde a alfabetização, o resultado se materializa em sujeitos letrados e capazes de se apropriar de formas diferenciadas de escrever e dominar os gêneros textuais, exigidos acadêmica e socialmente. (FREITAS, 2002).

Tem-se clareza de que incutir o hábito da leitura e escrita dos gêneros informativo, narrativo e literário, nas séries iniciais de contato com a escola previne dificuldades posteriores e facilita a internalização dos gêneros acadêmico e científico.

No entanto, o ensino tradicional de Língua Portuguesa, ainda muito presente no ambiente educacional, centra-se no estudo da gramática normativa e propõe o domínio da norma padrão com a realização de exercícios de leitura e escrita descontextualizados. Direciona o seu encaminhamento metodológico para três vieses: o estudo dos mecanismos gramaticais, a interpretação de textos e as aulas de redação, de forma fragmentada e estática. Esse é outro fator que se reflete no futuro quando um profissional é exposto à produção de textos orais e escritos. Ele se recorda que em algum momento da vida estudantil se deparou com expressões como “conjunções, pronomes, vocabulário, regência, voz passiva, termos coesivos,”. Mas, não assimila quando e onde utilizará tais recursos aprendidos aleatoriamente.

Ciente dessas questões que atingem pessoas de diferentes classes sociais e histórias de vida, quando ingressam no ambiente de formação específica, superior, ou técnico/cultural, defende-se a necessidade de proporcionar instrumentos para reverter essa situação. Entre eles, cita-se o acesso a técnicas de leitura, interpretação e escrita que lhe permitam a apropriação de saberes historicamente construídos e a partir desses dados, produzir novos conhecimentos.

REFERÊNCIAS: FREITAS, M. T. de. Vygotsky e Bakhtin. Psicologia de Educação: um intertexto. 4. ed. São Paulo: Ática, 2002. GERALDI, J. W. O texto em sala de aula. 4. ed. São Paulo: Ática, 1997. VAL, M. G. C. Redação e textualidade. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

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2 comentários para “Noemia Hepp Panke – Produção Científica”

  1. Filomena Irene Gorski disse:

    Professora Noemia, parabéns pelo seu trabalho! Sou formada pela PUC em Inglês-Português e fiz especialização em Literatura e Construção de texto. Trabalhei muitos anos com jovens e adultos de ensino Fundamental e profissionalisante. Foi árduo, mas gratificante. Hoje atuo em um Estabelecimento cuja proposta é trabalhar a língua portuguesa para alunos com dificuldades na construção de textos e algumas línguas estrangeiras. Por intermédio de uma aluna, caiu em minhas mãos um belísssimo trabalho,seu, sobre Paragrafação. Eu já conheço um método semelhante, porém creio que o seu tem um algo a mais. Parabéns!
    Precisamos tanto de pessoas que se preocupem com a qualidade “do ensinar” interagindo entre os profissionais. Gostaria de assistir algumas aulas suas, ou palestras. Você me cativou! É comprometedor segundo Saint Exupery.
    Estou produzindo um livro de História da Literatura, intermediando com orientações sobre estudo, leitura, visão de mundo pela Literatura aos alunos de Segundo Grau. Se pudéssemos ter mais contato, seria de grande valia. Obrigada. Um abraço.

  2. Noemia Hepp Panke disse:

    Olá, Filomena

    Creio que temos algo em comum, que é a paixão pelo que fazemos. E, esse fazer é de grande responsabilidade porque envolve a formação de pessoas que cruzam o nosso caminho, enquanto educadoras.Suas palavras gentis em relação ao meu trabalho emocionam e me dão a certeza de que escolhi o caminho profissional certo, há tanto tempo atrás!
    Citando Saint Exupery (Terra dos Homens) afirmo que ” Só existe um luxo verdadeiro,que é o das relações humanas” e que me sentirei gratificada em conhecê-la para trocar conhecimentos e experiências.Quem sabe na disciplina que ministrarei dias 14 e 15 de maio 2010, no Curso d Tango, quando abordarei a técnica da paragrafação, de seu interesse.
    Um abraço,

    Noemia

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